O sétimo mês do ano é o período de conscientização acerca das hepatites virais através da campanha Julho Amarelo que reforça a importância do diagnóstico precoce e tratamento destas enfermidades, que podem comprometer o funcionamento do fígado.
Nesta entrevista, a médica gastrohepatologista Lizomar de Jesus Maués Pereira fala sobre prevenção, sintomas e estatísticas. Ela também é professora da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e da Universidade Federal do Pará (UFPA).
O que é o Julho Amarelo e qual é o seu papel na conscientização e no diagnóstico precoce?
É uma campanha nacional para prevenção e controle das hepatites virais. Instituída pela Lei nº 13.802/2019.
A iniciativa destaca o dia 28 de julho, Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, para reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento dessas doenças que afetam o fígado.
Com o diagnóstico precoce favorece os cuidados e tratamentos precoces.
O que são as hepatites virais e quais são os principais tipos que afetam a população?
Inflamação do fígado causada por vírus com tropismo pelo fígado. Existem 5 tipos principais de vírus: Hepatite A, vírus da Hepatite B, vírus da Hepatite C, vírus da Hepatite D e Vírus da Hepatite E.
Quais os principais sintomas das hepatites virais?
Enjoo, febre baixa, indisposição, falta de apetite. Pode ter também desconforto abdominal, icterícia (olhos e pele amarelados), colúria (urina escura cor de coca cola) e fezes claras. Porém a maioria das pessoas não tem esses sintomas, passam despercebidas principalmente nas crianças.
Por que a hepatite C é frequentemente chamada de “doença silenciosa”?
A hepatite C, principalmente, não dá sintomas ou são sintomas leves (fadiga, mal-estar geral) que são atribuídos a outras viroses simples ou cansaço do trabalho.
Há dados sobre o cenário atual acerca de casos confirmados de hepatites virais no Pará?
Os dados epidemiológicos do Ministério da Saúde (MS) e da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) indicam que as hepatites virais B e C são os tipos com maiores registros no estado.
Estatísticas estaduais atualizadas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net): Hepatite B: Registrou 506 casos confirmados em 2024 e mais 142 casos no primeiro semestre de 2025.
Hepatite C: Totalizou 360 ocorrências confirmadas em 2024 e 97 no primeiro semestre de 2025.
Hepatite A: Teve menor incidência, com 25 casos registrados em 2024, e 6 no primeiro semestre de 2025.
De acordo com o MS, o estado tem alcançado reduções expressivas (da ordem de 55%) na transmissão vertical da hepatite B (de mãe para filho) e nas detecções em gestantes. A região Norte do país como um todo também concentra a grande maioria (72%) dos casos de hepatite D no Brasil.
Sobre autocuidado e prevenção, qual as suas orientações?
Prevenir é melhor que remediar: não usar nem compartilhar objetos pessoais (toalhas, escova de dente, alicate de unhas, tesourinha, aparelho de barbear); usar preservativos nas relações sexuais, pois podem ser transmitidas pelas práticas sexuais; vacinar para hepatite A e B; higienização adequada das verduras, frutas e legumes antes de ingerir; evitar alimentos mal cozidos e crus; cuidado com a água de beber que precisa ser adequada.
Alguma orientação específica para mulheres sobre prevenção?
As principais orientações envolvem a prevenção diária – evitar o compartilhamento de materiais de manicure e alicates, e cuidados essenciais em ciclos específicos, como a gestação, para impedir a transmissão da mãe para o bebê. Fazer pré-natal para testar hepatites virais, se suscetível vacinação. Se com infecção acompanhamento com hepatologista.
Sobre materiais de manicure/pedicure: use sempre o seu próprio kit (alicates, espátulas e lixas) para evitar qualquer risco de contaminação com sangue, via comum de transmissão das hepatites B e C
Sobre procedimentos estéticos: Confirme se os locais para colocação de piercing ou realização de tatuagens são regularizados e utilizam materiais estéreis e descartáveis.