Setembro em Flor: médica Mary Valente reforça sinais de alerta sobre câncer ginecológico

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 30 mil brasileiras recebem, todos os anos, o diagnóstico de algum câncer ginecológico. Os tumores que atingem o colo do útero, ovários, endométrio, vulva e vagina apresentam sinais que podem passar despercebidos ou ser confundidos com problemas comuns do dia a dia.

Para ampliar o acesso à informação e incentivar o diagnóstico precoce, a campanha Setembro em Flor, promovida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), chama atenção para os principais tipos de câncer ginecológico e para a importância de reconhecer os sintomas que merecem investigação médica.

Segundo a mastologista Mary Valente, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), conhecer os sinais de alerta é fundamental para aumentar as chances de cura. “Muitos desses cânceres não apresentam sintomas específicos nas fases iniciais. Por isso, é importante que a mulher esteja atenta às mudanças do próprio corpo e mantenha o acompanhamento ginecológico em dia. Quanto mais cedo identificamos a doença, melhores são os resultados do tratamento”, explica.

Câncer de colo do útero

Entre os cânceres ginecológicos, é o mais frequente e um dos poucos que pode ser amplamente prevenido. A doença está diretamente relacionada à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), responsável pela maioria dos casos. A vacinação contra o HPV, associada aos exames preventivos, é a principal estratégia para reduzir a incidência da doença.

Principais sinais de alerta:

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual;
  • Sangramento após relações sexuais;
  • Corrimento vaginal persistente ou com odor forte;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor pélvica ou lombar persistente.

“Hoje temos ferramentas capazes de prevenir a maior parte dos casos de câncer de colo do útero. A vacinação contra o HPV e a realização dos exames preventivos permitem identificar alterações antes mesmo do surgimento do câncer”, destaca Mary Valente.

Câncer de ovário

Considerado um dos cânceres ginecológicos mais desafiadores, o câncer de ovário costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas. Isso acontece porque os sintomas podem ser confundidos com problemas gastrointestinais ou alterações comuns da rotina.

Principais sinais de alerta:

  • Dor ou desconforto abdominal persistente;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Sensação de saciedade precoce;
  • Náuseas frequentes;
  • Alterações intestinais;
  • Cansaço excessivo;
  • Perda de peso sem explicação aparente.

“O câncer de ovário é conhecido por apresentar sintomas pouco específicos. Quando esses sinais persistem por semanas ou passam a interferir na rotina da paciente, é importante procurar avaliação médica”, alerta a especialista.

Câncer de endométrio

Também conhecido como câncer do corpo do útero, ocorre no revestimento interno do órgão, chamado endométrio. É mais frequente após a menopausa e está associado a fatores como obesidade, diabetes e alterações hormonais.

Principais sinais de alerta:

  • Sangramento vaginal após a menopausa;
  • Sangramento entre os ciclos menstruais;
  • Fluxo menstrual mais intenso que o habitual;
  • Dor pélvica persistente.

“O principal sinal de alerta do câncer de endométrio é o sangramento anormal. Nenhum episódio de sangramento após a menopausa deve ser considerado normal ou ignorado”, reforça Mary Valente.

Câncer de vulva e de vagina

Embora sejam considerados mais raros, os cânceres de vulva e vagina também exigem atenção. Muitos casos estão associados à infecção pelo HPV e apresentam crescimento lento, o que favorece o tratamento quando o diagnóstico ocorre precocemente.

Principais sinais de alerta:

  • Coceira persistente na região genital;
  • Sangramento fora do período menstrual;
  • Presença de feridas que não cicatrizam;
  • Caroços ou nódulos na vulva;
  • Manchas ou alterações na pele da região íntima;
  • Corrimento persistente.

“Alterações persistentes na região íntima não devem ser encaradas como algo normal. Coceiras, feridas ou lesões que não melhoram merecem investigação médica para afastar doenças mais graves”, explica a médica.

Como previnir?

Além de estar atenta aos sintomas, a prevenção continua sendo uma das principais aliadas da saúde feminina. A vacina contra o HPV, principal causador do câncer de colo do útero, está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária recomendada por anteceder o início da vida sexual e garantir maior proteção contra o vírus.

Outra ferramenta fundamental é o exame preventivo, conhecido como Papanicolau, indicado para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram a atividade sexual. O exame permite identificar alterações nas células do colo do útero antes mesmo do desenvolvimento do câncer, aumentando significativamente as chances de tratamento e cura.

A rotina ginecológica também pode incluir exames clínicos, avaliação das mamas, ultrassonografia transvaginal e, quando necessário, exames complementares como a colposcopia, utilizada para investigar alterações identificadas no preventivo. A indicação de cada exame deve ser individualizada e orientada pelo médico.

“A vacinação contra o HPV, a realização do exame preventivo e o acompanhamento ginecológico regular são medidas capazes de salvar vidas. Quanto mais cedo conseguimos identificar alterações, maiores são as chances de tratamento e cura”, destaca Mary Valente.

Fonte: CTO