A ansiedade pode influenciar na oscilação de peso? Embora muitas pessoas associem diretamente o estresse ao aumento na balança, a médica endocrinologista Renata Bussuan explica que o processo é mais complexo e envolve metabolismo, comportamento alimentar e qualidade do sono.
Qual a relação entre estresse e ganho de peso?
Temos que levar em conta que o estresse leva a pico de ansiedade, a ansiedade leva a uma busca maior por doce, o que faz, muitas vezes, que a pessoa ganhe peso, afinal o doce sobe a serotonina, que é uma substância neurotransmissor cerebral que acalma. Então, o estresse por si só já gera uma fome maior de doces e de carboidratos, aumenta o cortisol que é um hormônio que aumenta a gordura visceral, aquela gordura do abdômen. Quando você tem picos de estresse que levam a picos de cortisol e aumenta o depósito de gordura a nível abdominal, você faz picos de insulina, por cauda da síndrome metabólica e esta insulina alta também leva ao aumento de apetite, principalmente por carboidrato.
E aí, vira um círculo vicioso: você come mais carboidrato porque está com pico de insulina que foi gerado por causa do cortisol e o carboidrato dá mais gordura abdominal ainda.
Além disso, quando você tem estresse, não dorme bem, e bagunça a sua leptina que é um hormônio da saciedade. Uma noite maldormida, muda o padrão da forma da pessoa, principalmente para a mulher em razão da oscilação hormonal ao longo do ciclo mensal.
Mulheres são mais afetadas pelo ganho de peso em decorrência do estresse?
A vida de uma mulher adulta que trabalha é muito mais estressante do que a vida do homem. A cobrança em cima da mãe é muito maior que a cobrança em cima do pai, a exemplo. Então, para fazer o mesmo trabalho que um homem faz, a mulher encontra muito mais dificuldades. Então, o estresse na mulher reflete muito mais.
Quais sintomas e sinais a mulher deve estar mais atenta e saber quando deve procurar atendimento especializado?
Começou a escrever e sentir que a mão está tremendo, já é um insight para procurar um médico, pois pode ser um estresse mais básico como também pode ser um estresse gerado por doença da tireoide. Outra coisa é levantar muitas vezes durante a noite para fazer xixi, o que significa que a glicose dela pode estar alta por estresse, uma vez que o estresse aumenta o cortisol e a adrenalina que fazem subir o açúcar. E como é que o corpo faz a “válvula de escape”? pela urina. A perda de sono também deve ser observada. Acordar às 3 horas da manhã mostra pico de cortisol e isso acontece muito com mulheres no climatério e na menopausa.
No caso de mulheres no climatério e menopausa quais os perigos do ganho de peso em relação ao estresse?
Nessa fase da vida, o estrogênio começa a cair. O estrogênio é um hormônio protetor, tanto dos ossos quanto do coração. Então, a gente na menopausa tem mais osteoporose e eventos cardiovasculares. Quando entramos na menopausa, além de ter mais chances de apresentar AVC (Acidente Vascular Cerebral), infarto, estamos mais suscetíveis ao um nível maior de estresse por entrarmos numa fase de cansaço, passando a exigir mais do corpo e é quando não se tem mais o estrogênio, que é o hormônio que protege.
De uma forma geral, homens e mulheres de qualquer faixa etária, como iniciar um atendimento para a questão do ganho de peso relacionado ao estresse?
Se for pensar em ganho de peso, tem que procurar o nutrólogo e endocrinologista. Se pensar na questão da ansiedade, deve-se procurar um profissional da psiquiatria. Mas é importante procurar um atendimento clinico geral, que terá uma visão ampla do quadro apresentando. Além disso, tem que ter mudança no estilo de vida, pois se não “tirar o pé de acelerador”, não vai dar. Deve-se evitar fumar e bebidas alcoólicas, tentar ter um sono de qualidade, comer bem, fazer atividades físicas, se não consegue ir à academia, colocar movimento no dia a dia: descer e subir escadas, andar um pouco mais, por exemplos.
Renata Bussuan é coordenadora nacional Afya Educação Médica e docente do curso de pós-graduação em endocrinologia da Afya Educação Médica de Belém.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar.
Texto: Paula Portilho
(colaboração de Temple Assessoria de Imprensa)
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