Espetáculo Diversidade Cultural estreia em Belém e leva sociologia, arte e protagonismo juvenil aos palcos em 2026

A arte como ferramenta de educação, reflexão social e transformação humana ganha destaque em Belém com o lançamento do espetáculo Diversidade Cultural, nova produção do projeto Música na Escola, que estreia em 2026 nos principais teatros da capital paraense. A primeira apresentação será dia 14 de março, às 17h, no Teatro Waldemar Henrique, na Praça da República, na Campina.

Idealizado e coordenado pelo sociólogo e mestre em Ciência Política John Souza, o projeto convida o público a vivenciar uma experiência artística que dialoga com temas como racismo, direitos humanos, juventude, trabalho, política, meio ambiente e identidade cultural.

Criado dentro da sala de aula, o Música na Escola nasceu da necessidade de tornar o ensino da sociologia mais acessível e envolvente para estudantes do oitavo e nono ano do ensino fundamental e da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) da rede municipal de Belém.

“O projeto surge a partir da dificuldade de leitura, da falta de interesse dos alunos e do agravamento da realidade da escola pública no período pós-pandemia”, explica John, ao destacar que a proposta passou a integrar, a partir deste ano, a disciplina Projetos Integradores.

A metodologia começa com debates sociológicos, passa pela análise de músicas relacionadas aos temas estudados e avança para a formação de um corpo teatral, ensaios com banda musical e preparação cênica. O processo culmina em apresentações abertas ao público em teatros da cidade. “A música, o teatro e a dança despertam mais interesse, envolvem os alunos e permitem discussões científicas e filosóficas profundas”, afirma o coordenador.

Hoje, o projeto envolve entre 200 e 400 participantes, entre estudantes, familiares e comunidade em geral, reunindo alunos de diversas escolas da capital e distritos. O público é diverso e o espetáculo foi pensado para toda a família.

Mais que um projeto pedagógico, o Música na Escola tornou-se espaço de acolhimento e descoberta de talentos. O estudante Dauan Lucas, 16 anos, é exemplo desse protagonismo juvenil e destaca o impacto da iniciativa em sua trajetória.

 

“Sou prova de que muitos jovens têm potencial artístico, mas não têm oportunidades. Conheci o projeto e, em menos de um mês, já estava no palco me apresentando e falando o que sinto”, relata. Para ele, a iniciativa amplia oportunidades, especialmente para jovens das periferias que raramente ocupam grandes teatros.

 

Histórias como a de Dauan se repetem. A estudante Gabriela Guedes, 15 anos, conheceu o projeto na sala de aula, por meio do professor John, em um momento difícil, marcado por ansiedade e problemas emocionais. Para ela, a iniciativa representa aprendizado e fortalecimento pessoal.

 

“Eu sofria com ansiedade e vivia nos hospitais. Ele me chamou para conversar e me apresentou o projeto, onde pude expressar o que sentia”, conta. Após um período afastada, ela retornou. “Voltei e isso me ajuda muito. Aprendi que sem conhecimento a gente não é nada; precisamos entender o mundo para entender o que vivemos”, afirma.

 

Segundo John, esse impacto é perceptível também em sala de aula. “Eles ganham protagonismo, aprendem a se expressar, mudam comportamentos, adquirem confiança e passam a conhecer espaços culturais que jamais imaginariam frequentar”, relata.

Coletivo Rebarbads

Dentro do projeto atua o coletivo Rebarbads, formado por integrantes do teatro e da banda musical. Atualmente com 28 participantes, com idades entre 10 e 58 anos, o grupo estimula a consciência crítica por meio da arte, valoriza a cultura amazônida, incentiva o protagonismo juvenil, promove a preservação ambiental e amplia o acesso aos espaços culturais da cidade.

Diversidade Cultural

O espetáculo está estruturado em cinco blocos temáticos. O primeiro aborda escravidão, racismo, exclusão e violência social; o segundo discute ditadura militar, direitos humanos, política e sociedade; o terceiro propõe reflexões sobre o trabalho; o quarto mergulha nas relações juvenis e no mundo virtual; e o quinto encerra com temas ligados ao meio ambiente, cultura, identidade, consumo, estética e rótulos sociais.

Agenda

A agenda de 2026 já está definida. Após a estreia no Teatro Waldemar Henrique, que será dia 14 de março, às 17h, o espetáculo será apresentado dia 7 de maio, às 18h, no Teatro Margarida Schivasappa; dia 26 de junho, às 17h, no Waldemar Henrique; e encerra a temporada dia 31 de agosto, às 17h, no Teatro da Paz.

Para os estudantes, a entrada será gratuita. Já o público em geral poderá contribuir, de forma opcional, com um quilo de alimento não perecível, destinado a famílias em situação de vulnerabilidade ligadas aos alunos do projeto. “É uma forma de ampliar o alcance social da iniciativa”, destaca o coordenador.

Projeto aposta em parcerias

Mantido até hoje com recursos próprios, o Música na Escola enfrenta desafios financeiros e de transporte. Ainda assim, segue em busca de parcerias e patrocinadores. “Acreditamos que a educação aliada à arte pode transformar vidas. Nossa expectativa é que o novo espetáculo supere os anteriores, com ainda mais envolvimento dos alunos e do público”, afirma John.

Aberto a pessoas de todas as idades, o projeto continua recebendo novos interessados. Em 2026, o palco volta a se transformar em sala de aula — e a sociologia ganha voz, ritmo e emoção.

 

Texto e Fotos: Assessoria de Imprensa/Divulgação