Dia Mundial do Doador de Medula Óssea reforça a necessidade de aumentar o número de doadores

O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, neste sábado, 19, reforça a importância do doador voluntário, que com um gesto simples pode se tornar a única chance de cura para um paciente com uma doença hematológica grave como leucemia, linfoma, mieloma múltiplo ou aplasia de medula.

A data, comemorada sempre no terceiro sábado de setembro, foi criada em 2014 pela Associação Mundial de Doadores de Medula (World Marrow Donor Association – WMDA), uma organização global de registros de células-tronco do sangue, medula e sangue do cordão umbilical. A WMDA reúne organizações que representam mais de 39 milhões de doadores de medula em 55 países diferentes, entre eles o Brasil, por meio do REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea).

O REDOME já reúne mais de 6 milhões de doadores cadastrados, sendo o terceiro maior registro de doadores voluntários de medula óssea do mundo, mas especialistas alertam que a ampliação desse banco continua sendo essencial para aumentar as chances de compatibilidade.

Na Região Norte, são cerca de 437 mil voluntários cadastrados, sendo o Pará o estado da região com o maior número de registros, com quase 140 mil doadores.

Compatibilidade ainda é um desafio

Segundo o hematologista Marcos Laercio, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), apesar do avanço nos números, encontrar um doador compatível ainda é um dos maiores desafios enfrentados pelos pacientes que aguardam o transplante. As chances de compatibilidade entre pessoas que não são da mesma família são muito reduzidas. No máximo, uma pessoa a cada 100 mil é compatível. “A compatibilidade para o transplante de medula óssea depende de características genéticas muito específicas. Quando não existe um doador compatível na família, a busca acontece nos registros nacionais e internacionais. Por isso, cada novo cadastro aumenta as possibilidades de encontrar a compatibilidade necessária para realizar o transplante, diminuir o sofrimento dos pacientes que permanecem muito tempo na fila e oferecer a ele uma nova perspectiva de vida”, explica o médico.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO), em julho de 2025 havia 2.679 pessoas na fila do transplante no Brasil.

O especialista destaca que o transplante de medula óssea é um tratamento consolidado e amplamente utilizado para restaurar a produção saudável das células sanguíneas em pacientes acometidos por doenças que afetam a medula óssea.

Desmistificando a doação

Embora seja um procedimento seguro, realizado há décadas, a doação de medula óssea ainda é cercada por dúvidas e informações equivocadas que acabam afastando potenciais voluntários. “Muitas pessoas acreditam que a doação é extremamente dolorosa ou que pode trazer prejuízos permanentes para a saúde, mas esses são mitos que precisam ser esclarecidos. Atualmente, grande parte das doações é realizada por meio da coleta de células-tronco do sangue periférico, um procedimento muito semelhante à doação de sangue. Em alguns casos, a coleta é feita diretamente da medula óssea, na região da bacia, em ambiente hospitalar, sob anestesia e com acompanhamento médico especializado”, explica o hematologista.

Segundo o Marcos Laercio, a medula óssea doada se recompõe naturalmente em pouco tempo, sem comprometer o funcionamento do organismo. “É importante esclarecer: medula óssea não é a mesma que a medula espinhal. Esse é um dos equívocos mais comuns. A doação não interfere na coluna vertebral, não causa paralisia e não deixa sequelas. Trata-se de um procedimento seguro, realizado com critérios rigorosos e acompanhamento médico em todas as etapas”, destaca.

O especialista ressalta ainda que nem todo voluntário cadastrado será chamado para doar ao longo da vida, mas manter o cadastro atualizado no REDOME é fundamental. “Quando uma pessoa se cadastra, ela passa a integrar uma rede de esperança para milhares de pacientes que aguardam um transplante. Mesmo que a compatibilidade nunca aconteça, aquele cadastro continua sendo uma oportunidade real para alguém que precisa de uma segunda chance de vida.”

Como se tornar um doador

O cadastro pode ser feito por pessoas entre 18 e 35 anos, em boas condições de saúde, nos hemocentros habilitados (no Pará, Hemopa). O processo é bem simples. Inclui o preenchimento de um formulário e a coleta de uma pequena amostra de sangue para análise genética.

“São poucos minutos para se cadastrar, mas esse gesto pode significar anos de vida para alguém que aguarda um transplante. O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea é um convite para que mais pessoas conheçam o processo e entendam o impacto que a doação pode ter na vida de milhares de pacientes e famílias”, finaliza o hematologista Marcos Laercio.

Após o cadastro, o voluntário permanece apto para doar até os 60 anos e poderá ser convocado caso seja identificado como compatível com algum paciente em qualquer parte do Brasil ou do mundo.

 

Fonte: Imprensa/CTO