Ser mãe é uma experiência repleta de emoções e desafios que impactam a vida materna, pessoal e profissional. Essa mudança na rotina costuma gerar sentimentos de medo e dúvidas sobre como dar conta de tantas tarefas — especialmente o desafio de conciliar a intensa jornada entre o cuidado com os filhos, a família, a carreira e o tempo para si mesma.
Para celebrar o Dia das Mães, reunimos histórias de duas profissionais que detalham suas trajetórias de conciliação entre a maternidade e o trabalho.
Uma dessas mulheres é Milene Dias da Cunha, Conselheira Substituta do Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE-PA) e presidente da Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon). Atuando em cargos de liderança que exigem presença e resultados constantes, Milene tem uma filha de 10 anos e, como milhares de outras mães, busca diariamente o equilíbrio entre a vida profissional e a maternidade.
“Na vida pública, muitas vezes as pessoas enxergam apenas os cargos e resultados, mas existe uma mulher tentando conciliar prazos, responsabilidades institucionais e, ao mesmo tempo, preservar momentos importantes da infância da filha. Esse equilíbrio não é automático. Ele exige escolhas, organização, rede de apoio e, sobretudo, consciência de que perfeição não existe”, afirma.

A intensa rotina como Conselheira e líder representa um desafio constante na conciliação entre a carreira e a maternidade. Para ela, as lições aprendidas em casa refletem-se em sua atuação pública, proporcionando um olhar mais empático.
“Aprendi que a maternidade transforma profundamente a forma como enxergamos o cuidado, a responsabilidade e até o impacto social das decisões que tomamos no exercício das funções públicas. A maternidade também ensina diariamente sobre empatia, escuta, paciência e responsabilidade afetiva. E isso inevitavelmente se reflete na atuação profissional e institucional. Penso que quem exerce funções de liderança sem perder a dimensão humana se torna capaz de tomar decisões mais conscientes e equilibradas”, enfatiza.
“Não existe modelo único de maternidade bem-sucedida. Muitas mulheres vivem uma rotina exaustiva tentando equilibrar trabalho, filhos, família e responsabilidades emocionais, frequentemente carregando culpa por acreditar que nunca estão fazendo o suficiente. É importante lembrar que os filhos não precisam de mães perfeitas. Precisam de mães presentes, verdadeiras, emocionalmente disponíveis e que também ensinem, pelo exemplo, valores como dignidade, esforço, coragem e integridade. Acredito que as mulheres não devem abrir mão de seus sonhos, da sua identidade profissional ou da sua voz”, conclui a Conselheira.
Mãe e empresária, a advogada Neila Moreira Costa vive uma maratona de responsabilidades profissionais e domésticas. Para ela, que tem um filho adolescente de 14 anos, a tripla jornada exige equilíbrio em todos os seus papéis, mas sem a exigência da busca pela perfeição.
“Aprendi que equilíbrio não significa perfeição. Existem dias em que o meu lado profissional fala mais alto e outros em que o coração de mãe conduz tudo. O mais importante é entender que nenhuma conquista profissional substitui os momentos vividos em família, assim como a maternidade também nos fortalece para sermos mulheres mais humanas, resilientes e preparadas para liderar”, conta.

Em sua trajetória, a maternidade, a advocacia e o empreendedorismo feminino trouxeram profundos aprendizados e novos desafios.
“O maior desafio é conseguir estar inteira em todos os lugares ao mesmo tempo. A maternidade nos exige presença emocional, enquanto a advocacia e o empreendedorismo exigem decisões, firmeza e responsabilidade diária. Existe uma cobrança muito grande da sociedade e, principalmente, de nós mesmas para dar conta de tudo com excelência. O aprendizado é compreender a força que existe em nós mulheres quando encontramos propósito no que fazemos. A maternidade me ensinou sobre amor incondicional, paciência e prioridade. Já a vida profissional me ensinou disciplina, coragem e constância”, assinala.
Neila defende que as mulheres persistam na busca pela realização de seus sonhos, reafirmando que o sucesso profissional e a felicidade pessoal são conquistas que caminham juntas.
“Nunca se sintam menores por não conseguirem dar conta de tudo o tempo inteiro. A mulher que trabalha, empreende, cuida da casa, dos filhos e ainda encontra forças para seguir em frente diariamente já é extraordinária. É importante também lembrar, que a maternidade não enfraquece a mulher, pelo contrário, ela costuma revelar uma força que muitas vezes nem sabíamos que existia. Acredito muito que os nossos filhos não precisam de mães perfeitas, precisam de mães presentes, verdadeiras e inspiradoras”, ressalta.
“Continuem acreditando nos seus sonhos, porque é muito bonito quando uma mãe ensina pelo exemplo que é possível construir uma família e, ao mesmo tempo, deixar sua marca no mundo”, finaliza.
Texto: Jornalista Mara Barcellos
Fotos: divulgação