Nesta segunda-feira, 27, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. A data integra o Julho Verde, campanha nacional e internacional de prevenção que alerta sobre tumores que atingem boca, língua, garganta, laringe, faringe, glândulas salivares e tireoide.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), em 2025, foram registrados 517 casos de câncer de cabeça e pescoço e 210 casos registrados, até o momento, em 2026.
Nesta entrevista, a oncologista Paula Sampaio, diretora clínica do Centro de Tratamento Oncológico – CTO, aborda fatores de riscos, prevenção e, principalmente, alerta para a importância do diagnóstico precoce.
-O que é o câncer de cabeça e pescoço?
Chamamos de câncer tumores malignos provenientes de um desenvolvimento descontrolado de células. Nesse caso, a doença atinge áreas da cabeça e do pescoço, como lábios, boca, garganta, laringe, nariz, regiões atrás da boca e do nariz e tireoide. Mais de 40 mil brasileiros são atingidos por esse tipo de câncer anualmente.
-Quais são os sinais e sintomas iniciais mais comuns que as pessoas não devem ignorar e que exigem avaliação médica urgente?
O câncer de cabeça e pescoço normalmente não apresenta sinais ou sintomas nas fases iniciais. Mas quando eles aparecem, os mais comuns são manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca, feridas que demoram a cicatrizar, uma dor de garganta persistente ou um nódulo no pescoço. Nesses casos, o melhor a fazer é buscar atendimento especializado. O cirurgião-dentista e o médico otorrinolaringologista são profissionais habilitados para investigar.
-Quais são os principais fatores de risco evitáveis associados a este tipo de câncer?
Cigarro e bebida alcóolica são os principais fatores de risco. E os dois, associados, potencializam muito o risco. É importante lembrar que quando falamos de cigarro estamos nos referindo aos dispositivos eletrônicos também. O vírus HPV também pode causar câncer na boca ou garganta e a má higiene bucal, ao longo do tempo, também pode contribuir para o surgimento desse tipo de câncer.
Portanto, a prevenção contra o câncer de cabeça e pescoço é não fumar; não consumir bebida alcóolica; tomar vacina contra o HPV e usar camisinha, inclusive na prática do sexo oral; além de ter uma boa higiene bucal. Precisamos levar a sério essas medidas de prevenção, pois cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados no Brasil e esse tipo de câncer pode deixar sequelas importantes. Pode afetar a fala, a respiração ou a deglutição do paciente, por exemplo. Diagnosticar a doença cedo é fundamental. Nesse caso, as chances de cura podem chegar a 90%. Além disso, o tratamento pode ser menos invasivo e serão menores as chances de sequelas.
-Quais são as principais modalidades de tratamento utilizadas na atualidade?
Cirurgia, quimioterapia e radioterapia são as principais modalidades de tratamento para o câncer de cabeça e pescoço, que são disponibilizadas nos serviços privados e públicos também. É muito importante que o paciente tenha um suporte completo, com médicos, nutrição, fonoaudiologia, psicologia, enfermagem e fisioterapeuta.
Da Redação
Foto: LEG